Atualizado em 02/10/2026 · 24 min de leitura
Tipos de fundação são as diferentes formas de levar o peso de uma construção até o solo, e a escolha entre eles não é questão de gosto nem de costume do mestre de obras. Quem decide é o terreno. A mesma casa térrea pode ficar de pé por décadas sobre um radier em um lote e trincar inteira em dois anos, sobre o mesmo radier, no lote ao lado, se ali houver aterro mal compactado ou uma camada de argila que perde resistência quando molha.
Este guia apresenta os 12 tipos de fundação mais usados no Brasil, das sapatas às estacas hélice contínua, com o que a ABNT NBR 6122 diz sobre cada grupo. E vai além do catálogo: mostra quantos furos de sondagem a norma pede antes do projeto, por que o solo de Londrina exige cuidado especial com água, quais regras da norma valem até para uma casa pequena e como reconhecer os sinais de que uma fundação não está dando conta.
Neste guia:
- O que é fundação e por que o solo decide tudo
- Fundação rasa ou profunda: como a NBR 6122 separa os tipos de fundação
- Tipos de fundação rasa: sapata, bloco e radier
- Tipos de fundação profunda: estacas e tubulões
- Quadro comparativo dos 12 tipos de fundação
- Como escolher entre os tipos de fundação: 6 perguntas
- Sondagem SPT: o que a norma exige antes do projeto
- Tipos de fundação no solo de Londrina: a argila que colapsa com água
- 5 regras da NBR 6122 que valem até para uma casa pequena
- Viga baldrame é um dos tipos de fundação?
- Sinais de que a fundação não está dando conta
- Tipos de fundação para casas: o que aparece na prática
- Perguntas frequentes sobre tipos de fundação
O que é fundação e por que o solo decide tudo
Fundação é a parte da estrutura que fica em contato com o terreno e transmite a ele as cargas dos pilares, das paredes e das lajes. Tudo o que está acima (telhado, alvenaria, caixa d’água, móveis, pessoas) desce pelos pilares e termina ali. Se o solo sob a fundação afunda mais em um ponto do que em outro, a casa inteira sente: aparecem trincas, portas deixam de fechar, pisos cedem.
Por isso a pergunta certa nunca é “qual fundação é a melhor”, e sim “qual fundação serve para este solo e esta carga”. Uma sapata apoiada em argila firme a 1,5 m de profundidade é uma solução excelente. A mesma sapata apoiada em aterro de entulho é um problema caro esperando para acontecer. Entre os tipos de fundação existentes não há um que vença sempre; há o que combina com o terreno, com o peso da obra e com o entorno.
Três informações pesam mais que qualquer outra nessa decisão: a resistência do solo em cada profundidade, medida na sondagem; a posição do lençol freático; e a carga que cada pilar vai descarregar. A partir delas o engenheiro compara alternativas de custo, prazo e risco. O restante deste artigo mostra como essa comparação funciona na prática.
Fundação rasa ou profunda: como a NBR 6122 separa os tipos de fundação
A norma que rege o assunto é a ABNT NBR 6122, Projeto e execução de fundações, na edição de 2019, que recebeu uma emenda em 2022. Ela separa os tipos de fundação em dois grandes grupos pela relação entre a profundidade de apoio e a menor dimensão do elemento.
- Fundação rasa (também chamada de direta ou superficial): a base fica apoiada a uma profundidade inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação. A carga passa ao solo principalmente pela base. Sapatas, blocos e radier pertencem a esse grupo.
- Fundação profunda: a ponta ou a base fica a uma profundidade superior a oito vezes a sua menor dimensão em planta e a pelo menos 3 m. A carga passa ao solo pela ponta, pelo atrito ao longo do fuste ou pela soma dos dois. Estacas e tubulões pertencem a esse grupo.
Repare que existe uma faixa entre as duas definições. Na edição anterior, de 2010, bastava a ponta estar abaixo do dobro da menor dimensão e a 3 m de profundidade para o elemento ser considerado profundo. A edição de 2019 subiu esse limite para oito vezes e passou a exigir que o projetista justifique a denominação quando o elemento não chega lá. Na prática, uma estaca curta e grossa não ganha automaticamente a resistência de ponta de uma estaca longa.
A revisão também deixou mais claras duas definições que costumam gerar confusão. Radier é o elemento de fundação rasa dotado de rigidez para receber mais de 70% das cargas da estrutura. Sapata corrida é a que recebe carga distribuída linearmente, ou de três ou mais pilares no mesmo alinhamento, desde que represente menos de 70% das cargas. Passou disso, na prática ela já trabalha como radier.
Tipos de fundação rasa: sapata, bloco e radier
Os tipos de fundação rasa costumam ser os mais econômicos quando o solo firme está perto da superfície. Não exigem máquina pesada e podem ser executados com escavação manual ou miniescavadeira. Em contrapartida, dependem de o solo logo abaixo ter resistência suficiente e não mudar de comportamento com a umidade.
1. Sapata isolada
Peça de concreto armado, normalmente de base quadrada ou retangular com o topo em tronco de pirâmide, que recebe um único pilar e espalha a carga por uma área maior de solo. É a solução clássica para casas e prédios baixos quando existe camada resistente a pouca profundidade. A NBR 6122 fixa que sapatas isoladas e blocos não podem ter, em planta, dimensão inferior a 60 cm.
2. Sapata corrida
Contínua, acompanha o alinhamento de uma parede ou de uma fileira de pilares. É muito usada sob alvenaria estrutural e muros. Quando as cargas das paredes são baixas e o solo é bom, a sapata corrida resolve com pouca armadura e pouca escavação. Existe ainda a sapata associada, que recebe dois ou mais pilares tão próximos que as sapatas isoladas se sobreporiam.
3. Bloco de fundação
Peça de concreto simples ou ciclópico, dimensionada para que o próprio concreto resista às tensões sem depender de armadura. Como compensa a falta de aço com mais altura, costuma ser usado para cargas pequenas, muros e edículas. Não confunda com o bloco de coroamento, que é a peça que une a cabeça de um grupo de estacas ao pilar.
4. Fundação radier
A fundação radier é uma laje de concreto armado ou protendido apoiada diretamente no terreno, que recebe a carga de todos ou quase todos os pilares e paredes. Funciona como uma balsa: distribui o peso da casa por toda a área construída e reduz a pressão sobre o solo. Por isso aparece tanto em casas térreas, conjuntos habitacionais e obras de steel frame e wood frame, em que as cargas são baixas e bem distribuídas.
As vantagens são rapidez, pouca escavação e um piso praticamente pronto para o contrapiso. As desvantagens aparecem quando o terreno não colabora: aterro recente, solo que colapsa com água ou lote com desnível que exige muito corte. Um radier executado sobre aterro sem compactação controlada pode trincar e afundar nos cantos, e o conserto é difícil, porque ele é ao mesmo tempo a fundação e o piso. As tubulações de água e esgoto também ficam embutidas na laje, o que exige o projeto hidráulico fechado antes da concretagem.
Tipos de fundação profunda: estacas e tubulões
Quando a camada resistente está longe da superfície, ou quando a carga é grande demais para o solo raso, a solução é uma fundação profunda. Estacas e tubulões atravessam as camadas fracas e buscam resistência mais abaixo, pela ponta, pelo atrito lateral ou pelos dois. Os tipos de fundação profunda se diferenciam principalmente pelo modo de execução: escavando o solo ou cravando a peça nele.
5. Estaca broca (escavada com trado manual)
Furo aberto com trado manual, de diâmetro pequeno (em geral de 20 a 30 cm) e poucos metros de profundidade, preenchido com concreto e armadura de arranque. É barata e dispensa equipamento, mas só funciona acima do nível d’água e em solo que se mantém de pé sem desmoronar. É muito comum em casas térreas e muros, sempre associada a uma viga baldrame. Uma variação usada no norte do Paraná é a estaca apiloada, em que um pilão em queda livre abre o furo compactando o solo em volta.
6. Estaca escavada mecanicamente
Mesmo princípio da broca, mas o furo é aberto por um trado acoplado a caminhão ou máquina, o que permite diâmetros e profundidades maiores com boa produtividade. Também exige terreno acima do lençol e paredes de furo estáveis. Não gera vibração, uma vantagem real em lote urbano com vizinho colado.
7. Estaca Strauss
Executada com tripé, pilão e tubos de revestimento de aço que descem à medida que o solo é retirado. O concreto é lançado e apiloado enquanto os tubos são recuperados. O equipamento é leve e cabe em terrenos estreitos, e por isso a Strauss continua presente em sobrados e pequenos prédios. O cuidado maior fica abaixo do nível d’água, onde a integridade do fuste é mais difícil de garantir.
8. Estaca hélice contínua monitorada
Um trado helicoidal contínuo entra no solo por rotação até a cota de projeto. O concreto é bombeado pelo tubo central enquanto o trado sobe, e a armadura é colocada logo em seguida. Um computador de bordo registra profundidade, pressão do concreto e velocidade, gerando um boletim para cada estaca. É rápida, não vibra, funciona abaixo do lençol e domina as obras médias e grandes. A limitação é o porte da máquina: exige acesso, espaço de manobra e um número de estacas que justifique a mobilização.
9. Estaca pré-moldada de concreto
Fabricada em indústria e cravada por bate-estaca. Tem controle de qualidade de fábrica e permite verificar, pela nega (a penetração medida a cada série de golpes), se a estaca atingiu a resistência esperada. O ponto fraco é a cravação: ruído e vibração que incomodam e podem causar danos em construções vizinhas, o que restringe seu uso em áreas densas.
10. Estaca metálica
Perfis de aço em I ou H, trilhos ou tubos cravados no solo. Atravessam camadas resistentes com facilidade, podem ser emendados por solda e servem também em contenções. Custam mais por metro e, em solo agressivo, exigem avaliação de corrosão.
11. Estaca Franki
Um tubo com uma bucha de concreto seco na ponta é cravado por um pilão pesado. Na cota prevista, a bucha é expulsa e forma uma base alargada, e o fuste é concretado com compactação. Alcança cargas altas, mas está entre as soluções que mais vibram durante a execução, o que pesa na escolha em área urbana.
12. Tubulão
Elemento cilíndrico de grande diâmetro em que, ao menos na etapa final, há descida de operário ao fundo para alargar a base. Pode ser a céu aberto, acima do lençol freático, ou a ar comprimido, quando é preciso trabalhar abaixo da água. O tubulão a ar comprimido envolve risco ocupacional sério e, por isso, costuma ser a última alternativa considerada.
Há ainda outros tipos de fundação profunda para situações específicas: a estaca raiz, usada em reforço de fundações e em locais de difícil acesso; a estaca de madeira, hoje rara em edificações; e soluções mistas, como o radier estaqueado. Elas não mudam a lógica de escolha descrita adiante.
Quadro comparativo dos 12 tipos de fundação
| Tipo | Grupo | Onde costuma servir | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Sapata isolada | Rasa | Casas e prédios baixos com solo firme raso | Solo de apoio precisa ser homogêneo |
| Sapata corrida | Rasa | Paredes portantes e muros | Recalque em trechos com solo diferente |
| Bloco | Rasa | Cargas pequenas, muros e edículas | Pouco eficiente para cargas altas |
| Radier | Rasa | Casas térreas e cargas distribuídas | Aterro mal compactado e solo colapsível |
| Broca | Profunda, pequeno diâmetro | Casas térreas com viga baldrame | Só acima do lençol; controle de execução limitado |
| Escavada mecânica | Profunda | Obras pequenas e médias em solo coesivo | Paredes do furo instáveis abaixo da água |
| Strauss | Profunda | Sobrados e terrenos estreitos | Qualidade do fuste abaixo do nível d’água |
| Hélice contínua | Profunda | Obras médias e grandes | Acesso e mobilização da máquina |
| Pré-moldada | Profunda | Solos moles e obras com espaço | Vibração e ruído na cravação |
| Metálica | Profunda | Cargas altas e contenções | Custo e corrosão |
| Franki | Profunda | Cargas altas | Vibração intensa |
| Tubulão | Profunda | Cargas concentradas altas | Segurança do trabalho na escavação |
O quadro serve para orientar a conversa, não para decidir sozinho. Duas obras com a mesma planta podem terminar com tipos de fundação diferentes porque o subsolo de cada lote é diferente.
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Como escolher entre os tipos de fundação: 6 perguntas
A escolha é trabalho do engenheiro responsável pelo projeto de fundações, mas entender o raciocínio ajuda o dono da obra a conversar melhor e a desconfiar de quem decide no olho. São seis perguntas, mais ou menos nesta ordem.
- O que a sondagem mostrou? A resistência do solo camada a camada (o índice NSPT), a espessura de cada camada e a presença de aterro, argila mole ou areia fofa. Sem esse dado, qualquer escolha é aposta.
- Onde está a água? Brocas, escavadas sem revestimento e tubulões a céu aberto dependem de trabalhar acima do lençol freático. Com água alta, as opções se estreitam para hélice contínua, pré-moldadas ou metálicas.
- Qual é a carga de cada pilar? Casa térrea com laje leve descarrega pouco; sobrado com caixa d’água e laje maciça, bem mais. A carga define se uma sapata cabe no lote ou ficaria tão grande que avançaria sobre a divisa.
- Quem mora ao lado? A cravação de estaca pré-moldada ou Franki vibra. Perto de casa antiga, muro de divisa frágil ou hospital, as soluções escavadas costumam ser preferidas mesmo quando custam um pouco mais.
- A máquina entra no terreno? Um lote de 10 m de frente em rua estreita pode não comportar uma perfuratriz de hélice contínua. A Strauss e as estacas escavadas de pequeno porte existem, em parte, por causa disso.
- Quanto custa o conjunto, e não só a estaca? Fundação mais barata por metro pode exigir blocos maiores, mais escavação ou mais prazo. A comparação correta soma estaca, bloco, viga baldrame, movimento de terra e tempo de obra.
Em muitos terrenos, mais de um dos tipos de fundação atende tecnicamente. A decisão final sai da comparação entre as alternativas viáveis, pesando custo total, prazo e risco. É essa comparação que um bom projeto de fundações documenta, e é por isso que ele anda junto com o projeto estrutural da edificação.
Sondagem SPT: o que a norma exige antes do projeto
A NBR 6122 é direta: para qualquer edificação deve ser feita uma investigação geotécnica preliminar, constituída no mínimo por sondagens a percussão com SPT, executadas conforme a ABNT NBR 6484. A sondagem informa a sequência de camadas, a classificação de cada solo, a posição do nível d’água e o NSPT, que é o número de golpes necessários para cravar o amostrador padrão nos últimos 30 cm do ensaio. É com esse número que se estima a resistência de cada camada e se compara a viabilidade dos tipos de fundação.
A quantidade mínima de furos segue a ABNT NBR 8036, à qual a própria NBR 6122 remete. Para edificações, o mínimo depende da área projetada em planta:
- até 200 m²: 2 furos;
- de 200 a 400 m²: 3 furos;
- de 400 a 1.200 m²: 1 furo a cada 200 m²;
- de 1.200 a 2.400 m²: 1 furo a cada 400 m² que exceder 1.200 m²;
- acima de 2.400 m²: plano definido para a obra.
Uma casa com 120 m² de projeção precisa, portanto, de pelo menos dois furos. Parece pouco, e às vezes é: o mínimo normativo é ponto de partida, não garantia. Se os furos mostram perfis muito diferentes, se aparece aterro, ou se a execução encontra algo que a sondagem não mostrou, a NBR 6122 manda fazer investigação complementar até esclarecer a divergência. Economizar nos furos costuma ser a decisão mais cara da obra: sem dado confiável, o projetista tende a superdimensionar por segurança ou, pior, subdimensiona sem saber.
Quem pesquisa tipos de fundação para casas ouve com frequência que “casa pequena não precisa de sondagem”. A norma não faz essa distinção por tamanho. Ela fala em qualquer edificação.
Tipos de fundação no solo de Londrina: a argila que colapsa com água
Boa parte de Londrina está assentada sobre solo residual de basalto: uma argila siltosa vermelha escura, porosa e laterítica, formada pelo intemperismo profundo da rocha. No Campo Experimental de Engenharia Geotécnica da Universidade Estadual de Londrina (UEL), essa camada chega a cerca de 12 m de espessura, e os primeiros 7 m têm baixa umidade, alta porosidade e comportamento potencialmente colapsível, segundo dissertação de mestrado em engenharia defendida na UEL. O mesmo trabalho considera esse perfil característico da região.
Colapso, em geotecnia, é um recalque rápido e acentuado que acontece quando um solo poroso e seco recebe água, mesmo sem aumento de carga. A estrutura de poros se desfaz e o solo assenta. As causas citadas na pesquisa são chuvas intensas e vazamentos das redes de água e esgoto. Numa casa, isso se traduz em calha despejando água junto à parede, tubulação enterrada vazando por meses ou jardim irrigado colado ao alicerce.
O fenômeno pesa diretamente na escolha entre os tipos de fundação. A NBR 6122 exige que, em solos colapsíveis, o projeto considere a possibilidade de encharcamento, por vazamento de tubulação ou elevação do lençol, tanto no dimensionamento quanto no método construtivo. Pesquisas com provas de carga no campo experimental da UEL registraram reduções da ordem de 34% a 50% na capacidade de carga horizontal de estacas escavadas quando o solo foi inundado antes do ensaio. Um estudo publicado na revista Geotecnia sobre estacas escavadas e apiloadas de pequeno diâmetro no mesmo campo lembra que elas são as mais usadas em obras de pequeno e médio porte da região, justamente pela facilidade de execução em solo poroso acima da água, e que o efeito da inundação precisa ser avaliado.
Há um lado favorável: no mesmo campo experimental, o nível d’água foi encontrado em média a 19 m de profundidade, o que explica por que brocas, estacas escavadas e Strauss funcionam tão bem na cidade. O cuidado está na água que vem de cima, não na de baixo. Na prática, isso significa três medidas em Londrina e em boa parte do norte do Paraná:
- não apoiar fundação rasa na camada superficial colapsível sem avaliação específica do solo;
- considerar a condição inundada no cálculo das estacas curtas, que ficam inteiramente dentro dessa camada;
- tratar drenagem como parte da fundação: calhas ligadas à rede, calçada com caimento para fora e tubulações enterradas testadas antes do reaterro.
O radier, tão popular em casas térreas, merece atenção redobrada aqui. Se a camada logo abaixo colapsar de forma desigual, a laje inteira sente, e o reparo é trabalhoso.
5 regras da NBR 6122 que valem até para uma casa pequena
Muita gente acha que norma de fundação é assunto de prédio. Algumas regras da NBR 6122 valem para qualquer obra e raramente são explicadas ao dono da casa.
- Investigação geotécnica sempre. Sondagem a percussão para qualquer edificação, como visto acima.
- Dimensão mínima. Sapatas isoladas e blocos não podem ter menos de 60 cm em planta.
- Profundidade mínima na divisa. Junto aos terrenos vizinhos, salvo quando a fundação se apoia em rocha, a base não pode ficar a menos de 1,5 m de profundidade. A norma admite reduzir esse valor quando a maioria das sapatas ou blocos tem menos de 1 m. A regra protege a sua obra de uma escavação futura no lote ao lado, e vice-versa.
- Lastro de concreto. As partes da fundação rasa em contato com o solo são concretadas sobre um lastro de concreto não estrutural de pelo menos 5 cm, que evita contaminar o concreto da peça com terra.
- Prova de carga quando há muitas estacas. A norma torna obrigatória a prova de carga estática de desempenho quando o número de estacas da obra passa do limite da sua Tabela 6, que varia com o tipo de estaca, e também quando as estacas trabalham com tensões acima dos valores dessa tabela. Casa com duas dezenas de brocas raramente chega lá; conjunto habitacional ou prédio costuma chegar.
Há ainda uma regra que não está na NBR 6122, mas em lei federal: todo serviço de engenharia, incluindo projeto e execução de fundações, fica sujeito à ART, a Anotação de Responsabilidade Técnica instituída pela Lei 6.496/1977. É ela que identifica perante o CREA quem responde tecnicamente pela fundação. Veja como funciona no guia sobre anotação de responsabilidade técnica.
Viga baldrame é um dos tipos de fundação?
É a dúvida mais comum de quem constrói casa, e a resposta curta é: depende de como ela foi feita. A viga baldrame é uma viga de concreto armado no nível do chão, que recebe as paredes do térreo e leva essa carga até os elementos de fundação, normalmente brocas ou sapatas. Nesse arranjo ela faz parte do sistema, mas não é a fundação em si. Quem entrega a carga ao solo resistente são as estacas ou as sapatas.
Em construções antigas e em muita obra de autoconstrução, porém, o baldrame é uma faixa de concreto ou de alvenaria apoiada direto no solo raso, sem estaca nenhuma. Aí ele funciona como uma sapata corrida improvisada, sem dimensionamento. Em solo colapsível, como o de Londrina, é uma receita conhecida para trincas.
O baldrame também é a porta de entrada da umidade que sobe do terreno. Sem impermeabilização no topo e nas laterais, a água sobe por capilaridade para a alvenaria e aparece como mancha e salitre perto do rodapé, problema detalhado no guia de infiltração na parede.
Sinais de que a fundação não está dando conta
Nenhum dos tipos de fundação é imune a erro de projeto, de execução ou a mudanças nas condições do solo. Quando a fundação cede de forma desigual, o fenômeno se chama recalque diferencial, e a estrutura acima denuncia:
- trincas inclinadas, próximas de 45 graus, partindo dos cantos de portas e janelas;
- portas e janelas que começam a emperrar ou a raspar no piso sem motivo aparente;
- piso cerâmico que estufa, trinca em linha ou se afasta do rodapé;
- fissura horizontal logo acima do baldrame, ao longo de toda a parede;
- desnível perceptível entre cômodos ou em relação à calçada.
Esses sinais não confirmam sozinhos um problema de fundação, já que retração do reboco e variação de temperatura também fissuram paredes. Mas trinca que aumenta de abertura com o tempo é sinal de alerta. O caminho é uma vistoria técnica com medição e acompanhamento das fissuras e, quando necessário, um laudo estrutural que aponte a causa e a solução, que pode incluir reforço com estacas executadas sob a estrutura existente.
Tipos de fundação para casas: o que aparece na prática
Em obra residencial, os tipos de fundação para casas se concentram em poucas combinações. Sem substituir o projeto, este é o panorama mais frequente:
- Casa térrea em terreno firme e plano: fundação radier, brocas com viga baldrame ou sapatas isoladas rasas. A escolha depende da sondagem e da existência de aterro.
- Casa térrea sobre aterro ou solo colapsível: estacas que atravessem a camada problemática, escavadas mecanicamente ou Strauss, ligadas por baldrame, em vez de apoio direto na superfície.
- Sobrado: cargas maiores por pilar pedem estacas mais longas ou de maior diâmetro, sapatas maiores em solo bom ou, em lote com acesso, hélice contínua.
- Casa em lote de encosta: fundações em cotas diferentes, muitas vezes combinadas com contenção. Aqui o projeto precisa olhar a estabilidade do talude, e não só a carga dos pilares.
Uma observação sobre custo: a fundação costuma ser uma parte pequena do orçamento total de uma casa, mas erro nela é o mais caro de corrigir, porque o reparo exige escorar a estrutura e trabalhar embaixo dela. É o último lugar da obra para economizar sem sondagem na mão.
Perguntas frequentes sobre tipos de fundação
Quais são os principais tipos de fundação?
Os principais tipos de fundação se dividem em rasos (sapata isolada, sapata corrida, bloco e radier) e profundos (estaca broca, escavada mecanicamente, Strauss, hélice contínua, pré-moldada, metálica, Franki e tubulão).
Qual a diferença entre fundação rasa e fundação profunda?
A fundação rasa transmite a carga pela base e fica apoiada a uma profundidade menor que duas vezes a sua menor dimensão. A fundação profunda leva a carga pela ponta e pelo atrito lateral e fica a mais de oito vezes a sua menor dimensão e a pelo menos 3 m, segundo a NBR 6122.
Qual o tipo de fundação mais barato?
Em solo firme e raso, as fundações rasas costumam sair mais em conta, por dispensarem máquina. Mas “mais barato” só vale para o solo certo: radier sobre aterro ou argila colapsível pode custar muito caro depois. A comparação honesta soma fundação, baldrame, movimento de terra e prazo.
Fundação radier serve para sobrado?
Pode servir, se a sondagem mostrar solo homogêneo e o cálculo confirmar que tensões e recalques ficam dentro do admissível. Em sobrados as cargas se concentram mais nos pilares, e é comum o projeto preferir estacas ou sapatas. Quem decide é o cálculo, não a preferência.
Posso escolher a fundação sem sondagem?
Não deveria. A NBR 6122 exige investigação geotécnica preliminar, com sondagem a percussão, para qualquer edificação. Sem ela, o projeto trabalha no escuro.
Quem pode projetar a fundação?
Profissional legalmente habilitado, com registro no conselho profissional e ART do serviço. Em Londrina e em todo o Paraná, o registro de engenheiros é feito no CREA-PR.
Obra começando ou fundação dando sinais de problema?
Seja para projetar a fundação de uma obra nova, seja para avaliar trincas numa casa pronta, fale direto com um engenheiro da Trabalho Engenharia em Londrina. Orçamento gratuito em até 24h.
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Conteúdo técnico elaborado pela equipe de engenharia da Trabalho Engenharia, com responsabilidade técnica registrada no CREA-PR. Revisado em setembro de 2026 com base na ABNT NBR 6122:2019 (com a Emenda 1 de 2022), na ABNT NBR 8036 e na ABNT NBR 6484:2020.
Escrito por Deivid Silva Santos
Fundador da Trabalho Engenharia
Engenharia civil em Londrina, com atuação em habite-se, laudos, regularização de imóveis e memoriais descritivos.
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